Três gerações da família iniciada com João da Cruz David e Silva e Emília Mattos e Silva na pintura, na música e na literatura e poesia.
domingo, 17 de setembro de 2017
Em Memória de João Matos e Silva (1944-2017)
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
Círculos

Fotografia de família (c. 1971), onde se pode ver João Mattos e Silva, Alda Mattos e Silva e Emília Mattos e Silva.
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Em círculos concêntricos secantes
se lança se relança se ultrapassa
em dança e contradança que não cessa
este estar vivo assim que a morte
espreita este estar morto assim
que a vida passa em círculos
e espirais concêntricos excêntricos
deixando do que foi memória escassa.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Marítimo Caminho

Nauta
Ao mar me fiz. Ao mar do ignorado
desejo de encontrar outras distâncias.
Tracei rotas de sol rumos de espanto
e parti insensato à aventura
as velas enfunadas o vento de feição.
No cais da despedida meu cansaço
ficou aquietado.Me fiz assim ao mar.
O que irá encontrar meu louco coração?
Nostalgia
Vinda do mar no verso da palavra
ao mar voltou no reverso do olhar.
Sereias
Apenas escutarei em suas vozes
as palavras de amor que reconheço.
Cais
Inumeráveis os dias;inenarráveis as horas.
Aquático à luz da arde estremecias
esperando naus das índias que ainda choras.
terça-feira, 15 de abril de 2008
1987, ano de intensa vivência poética

sexta-feira, 11 de abril de 2008
Mais um passo no percurso poético - Memória(s)

A par com a publicação de poesia, o final dos anos oitenta foi fértil em acções de escrita. Crítica literária no jornal "Letras e Letras", editado no Porto por Joaquim de Matos, recensão literária no "Semanário", colaboração regular com poesia e prosa na revista literária "Património XXI", dirigida pelo escritor e saudoso amigo Orlando Neves.
1987 é o ano do aparecimento de um novo livro de poemas, "Memória(s), com capa da pintora Emília Matos e Silva e prefácio do escritor Mário Cláudio.
Do Prefácio
"Tem João Mattos e Silva, portanto, em suas mãos, o direito de ser, contra rabiscos vários dos jograis em comandita, poeta verdadeiro e discretamente maior. Confrontado com o seu enigma, na pátria e no texto o ancorou, finalmente decidida, uma vez eliminadas as rasuras e os borrões do discurso que a nós todos pré-existe, a identidade que lhe cabe...
...Solitária, mas insubmissa, se reconhece esta pena, ao termo da jornada empreendida. Nenhuma das frustrações a condenaria, entretanto, à resignação, pois pois que de muito para além do que é a energia lhe cresce. Consciente, como as do fundo da sabedoria, de que 'além de nós um outro/ surge em cada esquina de luz desvirtuada', perguntará 'porque morre um poeta?'. Grita-lhe-ão, em resposta, que por algo que se desvendou, mas que ninguém conhece, para sempre sepultado no entendimento do silêncio, uma vez o limite ultrapassado de a si próprio explicar". Mário Cláudio
Espelhos
Como num espelho da imagem
retrocesso. Imagem não do tempo
mas no tempo. O outro lado
o seu reverso apenas o avesso.
No polido do aço o fio do aço
a imagem polida e frio o espelho.
De Ariana o fio
Ser de Ariana o fio e em labirintos
de mistério esquecer como Teseu
vencido o Minotauro da razão.
Ser de Dionísio aquele amor sereno
por Ariana só e desprezada.
De Teseu a vitória sem traição.
De outros mitos construir a glória
e apenas nas distâncias da memória
ser o fio de Ariana e a paixão.
Fala de Mulei Moluc
Senhor de outros reinos que não deste
teus sonhos nas areias apodrece.
Estás morto. Perdido o império incerto.
Senhor destes reinos vencedor
a vitória me dói e queima. E o deserto.
O esquecimento de mim só não virá
por memória de ti que és encoberto.
Lamento de hoje
Este estar vivo assim é que me mata:
não mais por mar além ou terra fora
naufragado na Costa não da Mina
mas desta pátria triste que só chora
e não descobre outro destino ou sina
terras de Prestes João ou Rio da Prata.
Quinto Império
Por onde nas florestas desbravadas
ou em oceanos índicos pacíficos
sulcados de remotas aventuras
e de sonhos é que perdido andei?
Corpo - espaço de sonho recoberto
por índias e brasís me dispersei.
Novos mundos ao mundo foram dados.
E agora aonde irei?
Com palavras farei um outro império
maior e mais constante
que o amor na palavra nos congraça.
Por elas nos cumprimos nas praias
do Restelo ou de Mombaça.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Cântico Suspenso
Dez anos depois de "Intemporal" - em 1986 - publiquei nas edições Silex um novo livro de poemas. Tinha o título de outro, do grande poeta José Régio, mas não tinha como não o ter. O mistério do cântico poético estava suspenso de uma visão diferente do mistério do caminho da vida que ia percorrendo e era uma manifestação de coragem "mostrar o que se achou no caminho - e nunca é fácil, nem alegre, nem irresponsável revelar o que se encontrou ou sonhou nas galerias da alma..."( Eugénio de Andrade - Poética).Inscrição
Mortais é o que somos.
E deuses já não fomos?
"Uma descoberta este Cântico Suspenso! Pois 'eram dunas o deserto do teu peito:nelas de amor imprimi os meus dedos'. Ainda 'No meu corpo o teu corpo em vão procuro/ como em mim não encontro/outra nascente' Uma poesia calma, resguardada, simples, sem palavras últimas. Palavras que se vestem ao nosso olhar". Cecília Barreira
Mitos
Lagos
Dali partiu Sebastião. Lagos
serenos de infinito em seu olhar
partiram. E sonhos não sonhados.
Ali do norte ventos aportados
dormem no areal: esperando o mar.
E partem algum dia. Mas viver
é ir morrendo assim mas devagar.
Rituais
Nocturnos
1.
Vespertina ternura
a dos amantes
que na manhã renascem
separados
nos olhos nas palavras
nos desejos
aos versos do poeta
apenas confinados.
2.
Eram do poeta os versos
surpreendidos
pelo sorriso na manhã
nascente
no mistério do verbo
desvendado.
Apócrifas apenas
as palavras
que dizem do silêncio
resguardado.
Celebrações
Caminhos
Tormentosos caminhos penso
e vou.
Nos desvios se me perco
retrocedo:
assim partindo sempre
nunca chego.
Fico mas não estou.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Intemporal

terça-feira, 25 de março de 2008
João Mattos e Silva poeta e escritor, é europeísta, monárquico e de centro-direita. É uma pessoa de grande cultura, sensibilidade e capacidade de comunicação sendo também possuidor de uma personalidade carismática. Tem como passatempos preferidos a leitura de temas históricos, ensaios, poesia e ficção literária, teatro e música erudita no geral e em especial a barroca.
Em Outubro de 1972 publicou o seu segundo livro de poesia, TEMPO DE MAR AUSENTE. No prefácio, Henrique Barrilaro Ruas, diz “ E acabaria esta breve análise destacando a riqueza lírica e épica da sua Poesia.”
Luares de sol em cada ausência tua.
Desfez-se em sol a sombra,
o vento agreste.
A angústia abandonou-me
e ia nua;
lírio do campo vestido de cipreste.
Brota água da fonte anoitecida.
Nasce para a luz a sombra de uma vida
e arco-íris de esperança
mais além.
Em cada acácia-rubra
em sol poente
A luz-da-madrugada se detém.
domingo, 23 de março de 2008
João Mattos e Silva
O seu primeiro livro de poesia, Sem Contorno, foi publicado em Novembro de 1968, pelas Edições Excelsior.
Momento XV
Revejo-me num espelho sem contorno,
Sem nada.
O mar silencioso dá-me sempre igual
Uma alma inacabada.
Credo
Se és Senhor, Aquele a quem procuro,
se és o lírio branco,
se és a cruz da altura,
Senhor eu creio!
Se és, Irmão, aquela luz brilhante
que me guia e que perco
quando a estrada se abre
em caminho sem fim,
em ti, Senhor, eu creio!
Se és, Pai, aquele pomar viçoso
onde busco coragem
no doce sumo dum fruto
fresco e suave
em Ti, eu creio!
Se és a imensidade sem contorno,
se és o vácuo com luz,
se és a quem procuro,
se és verdade,
é em ti Senhor do abstracto,
é em ti que eu creio!
sábado, 8 de março de 2008





