
Três gerações da família iniciada com João da Cruz David e Silva e Emília Mattos e Silva na pintura, na música e na literatura e poesia.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Fernanda e Mário em recitais líricos
Fernanda e Mário estudaram canto lírico com a Profª D. Africa Cabral e participaram em vários recitais. Em divversas ocasiões estiveram no salão do Conservatório de Lisboa, nomeadamente em 11 de Junho de 1922 onde participaram num concerto dirigido pela sua professora, que também cantou árias de, entre outros, Hadydn, Wagner, Zandonai, Zanella, Albeniz, Freitas Branco e Francisca Gonzaga e em actuaram os seus alunos Maria Helena Cunha Baptista, Mário Mattos e Silva, Aurora de Sant'Ana, Estrella Cayola, Alice da Luz e Silva, Fernanda Noémia de Mattos e Silva e Manoela Laborde dos Santos. Mário interpretou "Lo Schiavo" de "Sogni d'Amore" de Carlos Gomes e "E canta il Grilo" de V.Billi e Fernanda, de "Palo e Virginia" de V.Massé, "Era notte".
O Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz, onde passavam férias, também foi palco para recitais em que participaram por diversas vezes. Na "Festa Artística dos Sextettos", no Salão Nobre, em Agosto de 1924, Fernanda interpretou "Lo Schiavo", de Carlos Gomes, "Addio terra nativa", da ópera "Africana" de Meyerbeer e com Mário, em dueto, a canção" Ta Bouche", de M.Yvain. Mário, por sua vez, cantou a "Serenata" de Tocelli e "Ay, ay, ay", canção creoula.
O jornal "O Figueirense" refere, sobre esse concerto que "O Sr. Mário Mattos e Silva cantou brilhantemente a Serenata de Tocelli" e "Cantaram ainda o doeto Ta Bouche a Srª D. Fernanda Mattos e Silva e o Sr. Mário Mattos e Silva, que foram muito aplaudidos".
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Conto de Alda dedicado aos sobrinhos Emília e João

Aquilo começou na escola primária. No primeiro dia de aulas quando a mestra Abelha fez a chamada verificou que faltava um aluno.
Já os outros esperavam alinhados junto às carteiras que a professora os mandasse para os seus lugares. Sabedora do protocolo profissional D. Abelha não o fez sem primeiro botar fala; num brevíssimo discurso inaugural. Meus meninos – começou enfatuada, o ano lectivo que vai principiar traz ao professorado grandes esperanças, nunca como agora ocorreu tanta bicharada em busca da luz da instrução. As matrículas excederam tudo quanto é possível imaginar-se, e vejo com agrado, que estais satisfeitos de vir para a escola. Hoje é o primeiro dia de aula. Espero ver-vos no último com o mesmo aspecto risonho e confiante na esteira de um caminho mais longo e proveitoso que será um futuro cheio de glória…para muitos de vós. Sem bons alicerces meus amiguinhos não se pode executar obra sólida, e isto é o mesmo que dizer que sem bases… nada se faz de jeito.
A escola primária é o cabouco onde assenta o majestoso edifício da instrução; portanto, mãos à obra. Eu sou o capataz, vós os operários. Comecemos com coragem a construir os alicerces que aguentarão mais tarde um arranha-céus de muitos andares.
Nesta altura do discurso, mestra Abelha limpou uma lágrima teimosa que se escondia ao cantinho do olho, não tendo tempo de prosseguir porque um estrépido áspero, um resfolegar anelante desviava todas as atenções para a porta de entrada. Na soleira da porta aparecia a figura desajeitada e cómica de um burrito cinzento, com grandes orelhas espetadas e olhitos redondos como duas missangas negras.
Mestra Abelha não gostou da interrupção, franziu o sobrolho e para dar de começo a ideia exacta do seu temperamento e autoridade interpelou assim o retardatário: meu menino; por ser hoje o dia da abertura das aulas não ficas na rua, mas daqui por diante ou chegas a horas como os teus demais condiscípulos ou voltas por onde vieste, com três valentes ponteiradas no lombo. Com ar severo concluiu zumbindo: tenho dito.
Daí por diante o burriquito levava quando merecia e muitas vezes até, quando não merecia.
Que culpa tinha ele de não lhe ficarem na cabeça vogais e consoantes, de ter dificuldade em traçar as letras, de não fixar a tabuada.?!
Por tabuada a menina Pega essa sim! Papagueava de fio a pavio adições, multiplicações, divisões…. E nas subtracções botava sempre figura.:
- Minha Senhora, falta-me a lapiseira.
-a mim a caneta
- a mim a borracha – diziam as colegas.
Nas subtracções a Pêga era sempre a dianteira. Coitadita a Galinha a escrever era mesmo só ela e na leitura: b á bá – b á bá, cacarejava muito aflita repetindo as sílabas gaguejando… sem passar da cepa torta.
Entre os alunos havia um que fizesse o que fizesse nunca era castigado. Pudera! Passava o tempo a lamber as botas da professora. Era o Cão.
Menos fiel, mas igualmente animada a Rolinha soubera atrair as boas graças. Esperta, viva, saltitante, quando Mestra Abelha delicadamente a advertia da sua falta de atenção, semicerrava o biquito deixando perpassar como um sussurro, enquanto dava às asas: põe-te na rua!! Põe-te na rua!! Põe-te na rua!!
Era preciso ter cabeça de ferro para governar naquele cortiço. D. Abelha exaltava-se, o ponteiro trabalhava.
Minha Senhora chamava um Periquito muito ridículo choramingando; o menino Galo está sempre a brigar comigo, puxou-me pelas penas do rabo…
Tudo calado zumbia a mestra batendo com a régua na secretária. Não ouviram? Tornava a bater, tudo calado!! Um Sardãozito esverdeado à socapa deitava a língua de fora. Tantas vezes o fez que foi de castigo… para fora da aula.
- Quantas vezes te tenho dito, Sardão, que é feio esse gesto!!! À mestra parecia-lhe impossível que lá em casa lhe dessem semelhante educação.!!
O menino Lobo e a menina Raposa eram pouco assíduos, em vez de irem para a escola iam aos ninhos ou às capoeiras. Não havia que estranhar, era costume que lhes vinha de longe; os senhores seus avós eram tal e qual…. Casa de pais, escola de filhos!!!
Enfim todos tinham suas qualidades e defeitos uns maiores outros menores.
Ali estava o Elefante que não era estúpido mas trombudo, o Gato manhoso e preguiçoso;
D. Leão desdenhando os que não tinham brasão, a Águia-real a quem tudo parecia mal, o Pavão, um grandessíssimo vaidoso, um toleirão. Ainda havia um menino, sebentão, fungando a cada instante, (o que grandemente irritava a professora). Era mesmo um suíno, não se lavava, ia para a escola com os dentes, as unhas, as orelhas imundas e chamavam-lhe Porco.
Estudioso, cumpridor, nos primeiros tempos só o Urso. Trazia as lições bem estudadas e nunca D. Abelha o pilhou em falta. Por essa razão lhe perdoava o seu feitio estranho, isolando-se dos companheiros, não acamaradando em brincadeiras. O Burriquito bem o desafiava: - oh Urso vem d’aí saltar o eixo.
- Eu?!!! Respondia o Urso… muito senhor de si. Não penses que gosto de brincar com quem é menor do que eu:
Então o burro acicatado com a esporada atirava-lhe uma parelha de coices: - grande urso é o que tu és!!!
Azedavam-se os ânimos, vinha a professora e o burro lá ficava de castigo, sem recreio e de orelha derrubada.
Em tão grande conta era tido o Urso no conceito da mestra que nem já o chamava às lições, na certeza da sua aplicação constante no estudo.
De ano para ano foi fazendo os seus exames e o burriquito ia passando também mercê da sua teimosia e força de vontade.
Chegaram ambos ao liceu. A fama do Urso porém tinha-se-lhe antecipado. As charamelas haviam soado forte atordoando os ouvidos dos professores e reitor que olhavam o recém vindo como um menino prodígio. Os anos foram passando, o Urso era premiado com esplêndidas notas, com chamadas ao palco na festa de abertura de aulas a recompensar o seu suposto esforço. E de tanta importância o investiram que o bom do urso se julgou um ser aparte.
Em contraste o burriquito esfalfava-se a estudar teimando, num supremo arranque de vontade em obter a média necessária para passar. Lá conseguiu tirar o curso ao mesmo tempo que o outro.
Já na Universidade cada qual seguia o seu caminho, o Urso muito adulado, pouco consciencioso, orgulhoso. O burro aceitando o seu destino com filosofia. Trabalhador, humilde persistente.
A barreira entre ambos já então se erguia, eriçada de cacos de garrafa; e deixou de haver contacto.
Estradas diferentes que deviam desembocar no mesmo largo, a vida reservava-lhes grandes surpresas.
Quando o Urso por acaso se encontrava com o Condiscípulo, baixava a cabeça contrafeito dizendo; olá… e era tudo.
Mas o Burrito perdoava-lhe a toleima, de si para si julgava o outro com superior inteligência e indulgência.
Correspondia e passava adiante. Senhores dos seus diplomas foram atirados para a vida, para a realidade; habilitando-se a prestar provas no mesmo concurso.
Por estranho que pareça não foi o urso quem ficou aprovado apesar das muletas da fama a que sempre se apoiava.
O Burro, o asno, o estúpido… obteve o lugar que lhe competia porque sem alardes e perseverando estudou com vontade de vencer. O outro, iludiu-se a iludir toda a gente e afinal fez uma linda figura ….de urso.
Conto de Alda dedicado aos sobrinhos Emília e João
Cria fama …. Deita-te a dormir
Aquilo começou na escola primária. No primeiro dia de aulas quando a mestra Abelha fez a chamada verificou que faltava um aluno.
Já os outros esperavam alinhados junto às carteiras que a professora os mandasse para os seus lugares. Sabedora do protocolo profissional D. Abelha não fez sem primeiro botar fala; num brevíssimo discurso inaugural. Meus meninos – começou enfatuada o ano lectivo que vai principiar traz ao professorado grandes esperanças, nunca como agora ocorreu tanta bicharada em busca da luz da instrução. As matrículas excederam tudo quanto é possível imaginar-se, e vejo com agrado, que estais satisfeitos de vir para a escola. Hoje é o primeiro dia de aula. Espero ver-vos no último com o mesmo aspecto risonho e confiante na esteira de um caminho mais longo e proveitoso que será um futuro cheio de glória…para muitos de vós. Sem bons alicerces meus amiguinhos não se pode executar obra sólida, e isto é o mesmo que dizer que sem bases… nada se faz de jeito.
A escola primária é o cabouco onde assenta o majestoso edifício da instrução; portanto, mãos à obra. Eu sou o capataz, vós os operários. Comecemos com coragem a construir os alicerces que aguentarão mais tarde um arranha-céus de muitos andares.
Nesta altura do discurso, mestra Abelha limpou uma lágrima teimosa que se escondia ao cantinho do olho, não tendo tempo de prosseguir porque um estrépido áspero, um resfolegar anelante desviava todas as atenções para a porta de entrada. Na soleira da porta aparecia a figura desajeitada e cómica de um burrito cinzento, com grandes orelhas espetadas e olhitos redondos como duas missangas negras.
Mestra Abelha não gostou da interrupção, franziu o sobrolho e para dar de começo a ideia exacta do seu temperamento e autoridade interpelou assim o retardatário: meu menino; por ser hoje o dia da abertura das aulas não ficas na rua, mas daqui por diante ou chegas a horas como os teus demais condiscípulos ou voltas por onde vieste, com três valentes ponteiradas no lombo. Com ar severo concluiu zumbindo: tenho dito.
Daí por diante o burriquito levava quando merecia e muitas vezes até, quando não merecia.
Que culpa tinha ele de não lhe ficarem na cabeça vogais e consoantes, de ter dificuldade em traçar as letras, de não fixar a tabuada.?!
Por tabuada a menina Pega essa sim! Papagueava de fio a pavio adições, multiplicações, divisões…. E nas subtracções botava sempre figura.:
- Minha Senhora, falta-me a lapiseira.
-a mim a caneta
- a mim a borracha – diziam as colegas.
Nas subtracções a Pêga era sempre a dianteira. Coitadita a Galinha a escrever era mesmo só ela e na leitura: b á bá – b á bá, cacarejava muito aflita repetindo as sílabas gaguejando… sem passar da cepa torta.
Entre os alunos havia um que fizesse o que fizesse nunca era castigado. Pudera! Passava o tempo a lamber as botas da professora. Era o Cão.
Menos fiel, mas igualmente animada a Rolinha soubera atrair as boas graças. Esperta, viva, saltitante, quando Mestra Abelha delicadamente a advertia da sua falta de atenção, semicerrava o biquito deixando perpassar como um sussurro, enquanto dava às asas: põe-te na rua!! Põe-te na rua!! Põe-te na rua!!
Era preciso ter cabeça de ferro para governar naquele cortiço. D. Abelha exaltava-se, o ponteiro trabalhava.
Minha Senhora chamava um Periquito muito ridículo choramingando; o menino Galo
está sempre a brigar comigo, puxou-me pelas penas do rabo…
Tudo calado zumbia a mestra batendo com a régua na secretária. Não ouviram? Tornava a bater, tudo calado!! Um Sardãozito esverdeado à socapa deitava a língua de fora. Tantas vezes o fez que foi de castigo… para fora da aula.
- Quantas vezes te tenho dito, Sardão, que é feio esse gesto!!! À mestra parecia-lhe impossível que lá em casa lhe dessem semelhante educação.!!
O menino Lobo e a menina Raposa eram pouco assíduos, em vez de irem para a escola iam aos ninhos ou às capoeiras. Não havia que estranhar, era costume que lhes vinha de longe; os senhores seus avós eram tal e qual…. Casa de pais, escola de filhos!!!
Enfim todos tinham suas qualidades e defeitos uns maiores outros menores.
Ali estava o Elefante que não era estúpido mas trombudo, o Gato manhoso e preguiçoso;
D. Leão desdenhando os que não tinham brasão, a Águia-real a quem tudo parecia mal, o Pavão, um grandessíssimo vaidoso, um toleirão. Ainda havia um menino, sebentão, fungando a cada instante, (o que grandemente irritava a professora). Era mesmo um suíno, não se lavava, ia para a escola com os dentes, as unhas, as orelhas imundas e chamavam-lhe Porco.
Estudioso, cumpridor, nos primeiros tempos só o Urso. Trazia as lições bem estudadas e nunca D. Abelha o pilhou em falta. Por essa razão lhe perdoava o seu feitio estranho, isolando-se dos companheiros, não acamaradando em brincadeiras. O Burriquito bem o desafiava: - oh Urso vem d’aí saltar o eixo.
- Eu?!!! Respondia o Urso… muito senhor de si. Não penses que gosto de brincar com quem é menor do que eu:
Então o burro acicatado com a esporada atirava-lhe uma parelha de coices: - grande urso é o que tu és!!!
Azedavam-se os ânimos, vinha a professora e o burro lá ficava de castigo, sem recreio e de orelha derrubada.
Em tão grande conta era tido o Urso no conceito da mestra que nem já o chamava às lições, na certeza da sua aplicação constante no estudo.
De ano para ano foi fazendo os seus exames e o burriquito ia passando também mercê da sua teimosia e força de vontade.
Chegaram ambos ao liceu. A fama do Urso porém tinha-se-lhe antecipado. As charamelas haviam soado forte atordoando os ouvidos dos professores e reitor que olhavam o recém vindo como um menino prodígio. Os anos foram passando, o Urso era premiado com esplêndidas notas, com chamadas ao palco na festa de abertura de aulas a recompensar o seu suposto esforço. E de tanta importância o investiram que o bom do urso se julgou um ser aparte.
Em contraste o burriquito esfalfava-se a estudar teimando, num supremo arranque de vontade em obter a média necessária para passar. Lá conseguiu tirar o curso ao mesmo tempo que o outro.
Já na Universidade cada qual seguia o seu caminho, o Urso muito adulado, pouco consciencioso, orgulhoso. O burro aceitando o seu destino com filosofia. Trabalhador, humilde persistente.
A barreira entre ambos já então se erguia, eriçada de cacos de garrafa; e deixou de haver contacto.
Estradas diferentes que deviam desembocar no mesmo largo, a vida reservava-lhes grandes surpresas.
Quando o Urso por acaso se encontrava com o Condiscípulo, baixava a cabeça contrafeito dizendo; olá… e era tudo.
Mas o Burrito perdoava-lhe a toleima, de si para si julgava o outro com superior inteligência e indulgência.
Correspondia e passava adiante. Senhores dos seus diplomas foram atirados para a vida, para a realidade; habilitando-se a prestar provas no mesmo concurso.
Põe estranho que pareça não foi o urso quem ficou aprovado apesar das muletas da fama a que sempre se apoiava.
O Burro, o asno, o estúpido… obteve o lugar que lhe competia porque sem alardes e perseverando estudou com vontade de vencer. O outro, iludiu-se a iludir toda a gente e afinal fez uma linda figura ….de urso.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Alda Margarida de Mattos e Silva Marinha

Ganhou o 1º Premio do “ Conto de Natal”, no Concurso Literário de "Conclusões e Respostas" da Revista Modas & Bordados, publicado em 22 de Dezembro de 1943, intitulado “A história da avozinha”.
O conto romântico “ Casamento e mortalha no Céu se Talha” foi premiado no Concurso Literário de "Conclusões e Respostas" da Revista “ Modas & Bordados” e publicado em Junho de 1943.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Alda Margarida de Mattos e Silva Marinha
Pintava miniaturas a aguarela, sobre marfim.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
sábado, 2 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Fotos de Carnaval

Foto de Fernanda Matos e Silva mascarada de Mosqueteiro e foto de Emília Mattos e João da Cruz David e Silva mascarados de arabes.
Na Quinta do Alperce faziam-se sempre bailes de máscaras, no Carnaval.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Álbum de Família

domingo, 27 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Emília Mattos paisagista
Emília Adelaide de Oliveira Mattos e Silva

Emilia Mattos, nascida no dia 17 de Abril de 1872, era uma pessoa muito profunda e sabedora mas com uma certa falta de sentido prático.
Combativa e enérgica, tinha necessidade de se expressar de forma afirmativa e de saber com o que podia contar.
Sentia necessidade da aceitação social.
Possessiva e exigente demonstrava o amor que sentia pelo marido e filhos de forma tensa e carregada de paixão.
Tão exigente consigo própria como com os outros era uma pessoa de extremos.
Não vivia, na vida prática, o seu conceito intelectual de liberdade. Tinha dificuldade de se libertar do passado, pelo que todas as mudanças eram muitíssimo difíceis. Tinha anseios de evasão que ela própria limitava.
Pessoa muitíssimo sensível, idealista e muito sonhadora, deixava muitas vezes de viver plenamente o presente, perdendo-se em sonhos de um futuro ideal. A sua dificuldade de pôr em prática o que idealizava devido à sua grande necessidade de segurança, provocava-lhe crises de ansiedade e mudanças frequentes de humor.
Era uma pessoa inspirada que envolvia os outros pelas suas palavras, porque falava de forma intuitiva e espiritual.
Como pianista era uma virtuosa intérprete de Chopin.
Estudou pintura com Luciano Freire. As suas paisagens, tiradas de motivos contemplados ao ar livre, lembram a pintura de Camille Corot tanto na fidelidade como na frescura.
Emília Matos: Pintora do século XIX, discípula de Luciano Freire, figurou com pintura na Exposição Industrial de Lisboa de 1888.
Fernando de Pamplona, "Dicionário de pintores e escultores portugueses", Vol. IV, p. 93. Livraria Civilização Editora, Barcelos, 1988.
A descrição da sua personalidade foi feita a partir de relatos de pessoas que a conheceram e da análise do seu mapa astral.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Família Mattos e Silva - breve genealogia de três gerações

João da Cruz David e Silva, comerciante, industrial e vereador substituto da C.M. de Lisboa, era natural de Pedrógão Pequeno, concelho da Sertã, vindo de uma antiga família de proprietários e pequena nobreza rural, sendo os David – que até ao século XVIII se grafava da Vide – descendentes de Guilherme Arnauth (ou Arnau) de “ Rivo”, Mordomo ou Vedor - Mor da rainha Dona Filipa de Lancaster, que acompanhou a Portugal, estando pelos casamentos ligados a famílias de relevo, como os Leitão, Andrade, Queiroz e Colaço e do lado materno da família Conceição e Silva, que descendia também de Guilherme Arnau e estava ligada pelos casamentos às famílias Azevedo, Camelo, Queiroz ,Freire e Pessoa.
Emília Adelaide de Oliveira Mattos,com o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional, pintora, descendia pelo lado paterno, ao que se dizia na família, de um “ particular” do Rei Dom Miguel I e do lado materno de um oficial do Exército liberal. Ambos foram perseguidos pela facção contrária pelas ideias políticas, no conturbado período da Guerra Civil.
1.João da Cruz David e Silva, filho de Francisco José Nunes David e Margarida Conceição e Silva, n. em Pedrógão Pequeno em 26/10/1863 e m. em Lisboa em 12/10/1942. C.c. Emília Adelaide Rodrigues de Oliveira Mattos, filha de Cândido José Luís de Mattos e Thomásia Rosalina Rodrigues de Oliveira, n. em Lisboa em 17/4/1872 e m. em Lisboa em 3/3/1935.
Tiveram
2.Ema Arnaldina de Mattos e Silva, pintora, n. em Lisboa em 4/8/1894 e m. em Linda-a-Velha em 27/5/1973, casada com seu primo Francisco David e Silva, de quem teve
3.Lídia de Matos David e Silva, n. em Lisboa e 9/4/1916 e m. em Linda-a-Velha em 3/7/2002, c.c. Álvaro Santos e Silva, s.g.
3.Vasco da Cruz David e Silva, n. em Lisboa em 9/5/1917 e m. em Lisboa 10/6/1990, c.c. Maria Victória Correia, c.g.
3.Rui David de Matos e Silva, pintor, n. em Lisboa em 13/7/1918 e m. em 25/5/1987, c.g
3.Fernando David e Silva, n. em Lisboa em 12/6/1920 e m. em Lisboa em 5/4/1995, c.c. Violete Costa Carvalho, c.g.
3.Maria Helena David e Silva, n. em Lisboa em 7/1/1924, c.c. Manuel Dias Chaves de Alemeida, c.g.
3.Rogério David e Silva, n. em Lisboa em 10/7/1927 e m. em Linda-a-Velha em 6/4/1999, s.g.
2.Alda Margarida de Mattos e Silva, pintora e contista, c.c. Lino Pinto Assalino Gonçalves Marinha, s.g.
2.Mário da Cruz de Mattos e Silva, cantor lírico, casado com Irene Correia da Veiga, s.g.
2.Fernanda Noémia de Mattos e Silva, pintora, escritora e cantora lírica, n. em Lisboa em 22/9/1905 e m. em Lisboa em 17/2/1996, casada com João de Almeida Júnior, de quem teve
3.João Fernando de Mattos e Silva de Almeida, poeta e publicista, n. em Lisboa em 11/9/1944, c.c. Maria Emília de Azevedo e Castro Pina Correia, c.g.
3.Maria Emília de Matos e Silva de Almeida, pintora, n. em Lisboa em 19/8/1947, c.c. José João Santana Campos Rodrigues, c.g.
Três Gerações na Arte - Mattos e Silva

Fotografia tirada no dia 30-05-1907
João da Cruz David e Silva com sua mulher Emília Adelaide de Oliveira de Mattos e Silva e seus filhos Ema de Mattos e Silva, Alda de Mattos e Silva, Mário de Mattos e Silva e Fernanda de Mattos e Silva.


























