quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Canto para duas vozes 8

A noite é escura
como os teus cabelos
como o teu olhar,
como as tuas mãos,
como a tua vida,
como o teu amor.
E eu amo a noite
mesmo sem luar.
---
João Mattos e Silva (1972).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Marinha

Pintura de Emília Matos e Silva, Sem título (1988).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Canto para duas vozes 7

Mesmo quando não penso
é em ti que penso.

Há como que uma força
misteriosa que me chama
e me impele para ti.

Eu gosto do mistério
e creio no mistério.
Se não acreditasse assim
tão conscientemente,
que interesse teria a vida
tão cheia de coisas reais
e que sendo belas, são duras
e que sendo duras e belas
destroem quase sempre
o encanto de viver.

Se sofro sem razão
sei que sofro por ti,
se me amarguro sei
que a amargura está em ti,
como em ti estão sol, as
flores, as planícies e as montanhas,
o começo e o fim do universo.

Se não és tudo, tudo está em ti,.
Até a ilusão do que és,
o sonho do que serias,
o amor que me terias.

Hoje não vou, assim o quero,
pensar em coisa alguma...
Tu és, porém, ausência
e vazio do pensamento.
---
João Mattos e Silva (1972).

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poente

Pintura de Emília Matos e Silva, Poente (2008).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Canto para duas vozes 4

Eram aves sem norte como nós,
perdidas.
E foram lentamente rasgando a manhã clara.
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João Mattos e Silva (1972).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tarot

Pintura de Emília Matos e Silva, Tarot (2010).
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Esta pintura é uma composição baseada em outras duas pinturas de Emília Matos e Silva, ambas dedicadas às cartas de Tarot, realizadas em 2009.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Canto para uma voz 12

Há mãos nos meus versos
e poemas nos meus dedos.

Entre as mãos e os versos
nascem flores.

A luz do sol pleno,
coada pelas pétalas vazias,
cai complacente
nas mãos dos meus versos
e nos poemas dos meus dedos.

Então o amor, selvagem,
irrompe como uma sinfonia
e consegue ser quente.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fernanda de Matos e Silva faria hoje 105 anos.

Calendário de 1905, meses de Julho, Agosto e Setembro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Envolvência

Pintura de Emília Matos e Silva, Envolvência III ( 2010 ).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Canto para uma voz 2

Fui eu quem desceu à praia.
São de areia as minhas mãos
e são de mar os meus olhos.

(Vou pela vida cantando;
canto triste ou canto alegre
conforme chove ou faz vento)

Fui eu quem desceu ao vale.
São de pedras os meus olhos
e é transparente o olhar.

(Pelo mar vou navegando;
se há vento vou singrando
se não há fico a cismar)

Fui eu quem subiu à serra.
Os plátanos são meus desejos
e os matagais meus caminhos.

(Pelos montes vou consagrando;
tudo o que tenho e não tenho
seja feliz ou não seja).

Fui eu quem deixou a terra,
e pelo mar-oceano
deixou pedaços de olhar.

(Crescem urzes na planície,
sobem ciprestes nos vales
e eu canto triste ou alegre
conforme posso cantar.)
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Intimidade

Pintura de Emília Matos e Silva, Sem título (2010).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Definição V

Não tenho um pensamento
mais profundo
do que um outono roubado
à primavera.
Se te digo que as vidas
são dispersas
é porque quero dizer
que são diversas.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alfama - Lisboa

Gravura de Margarida Elias (1987).
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Fiz esta gravura no âmbito de uma aula de 11.º ano, no Liceu Filipa de Lencastre. Fomos em visita de estudo a Alfama, onde tirámos apontamentos, os quais foram depois trabalhados na aula. Gostei da experiência, que nunca repeti, apesar do resultado ter ficado bastante naïf.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tempo de guerra VII

...E o rio desfaz-se lento na planície...

Dançam os blufos.
Dançando, o palmeiral
contorece-se ao batuque que é de guerra.

A voz da noite vem
e banha-se de espanto.
(O pano azul, balanta, é o seu manto).
E vai - negra e azul - cobrindo a terra.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

domingo, 18 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um lobo

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Desenho de Margarida Elias.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tempo de guerra I

Tempo de guerra eu sou.

Na minha carne rasgaram-se
as florestas.
E neste tempo assim
em sangue vivo
sou a força de querer que se liberta.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

segunda-feira, 5 de julho de 2010