quinta-feira, 9 de julho de 2009

...Passeio pela Gulbenkian


Desenho de Emília Mattos e Silva, datado de 1961 (com cerca de 14 anos), inspirado de uma pintura de Jan van der Heyden, pertencente ao Museu Calouste Gulbenkian.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sintra


Pintura de Fernanda Mattos e Silva, Santa Eufémia (1962).
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Santa Eufémia é uma capela na Serra de Sintra. A minha avó tinha uma casa na Portela, onde costumávamos ir em Setembro. A minha mãe e o meu tio têm por certo memórias mais precisas e mais ricas dessas estadas. Eu só me lembro vagamente da casa e de ir passear para o centro, a um miradouro na Volta do Duche e de comer travesseiros na Piriquita. Fosse como fosse, no final, fiquei com uma ligação muito forte a Sintra . Ainda hoje é o meu local preferido para passear. Há uns tempos fui com a minha família a Santa Eufémia - se já lá tinha estado, não me lembro - e gostei muito. É um lugar mágico.

A Fernandinha


Retratos de Fernanda Mattos e Silva.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Gipsy e o Boss



Pinturas a aguarela de Emília Mattos e Silva (1992).

sábado, 4 de julho de 2009

Círculos


Fotografia de família (c. 1971), onde se pode ver João Mattos e Silva, Alda Mattos e Silva e Emília Mattos e Silva.
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Em círculos concêntricos secantes
se lança se relança se ultrapassa
em dança e contradança que não cessa
este estar vivo assim que a morte
espreita este estar morto assim
que a vida passa em círculos
e espirais concêntricos excêntricos
deixando do que foi memória escassa.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Emília Matos e Silva a pintar


Emília Matos e Silva a iniciar uma pintura e a obra final (1999).
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Ver post de 19 de Abril de 2008.

As mãos em nossas mãos se entrelaçam...

Desenho de Emília Mattos e Silva, Retrato de Pedro Campos Rodrigues (1987).
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As mãos em nossas mãos
se entrelaçam
como as palavras para ser
poesia: num poema maior
por que amizade
um verso após um verso
em cada dia.
Assim iremos além da eternidade.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Adolescente

Pintura de Emília Matos e Silva, Som (2008).
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Eu tinha quase tudo ...
Mas queria mais, ainda...
Eu tinha a esperança em flor
e tinha o coração cheio de amor,
mas queria mais, ainda...
Tinha nas mãos uma vontade imensa
de vencer ou morrer, vontade intensa,
mas queria mais, ainda...
Tinha o olhar dourado pela vida
e uma vontade de amar nunca sentida,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha a luz do sol nos meus cabelos
e todos os dias, mesmo sem sol, eram belos
mas queria mais ainda...
Tinha no corpo todo o grito dum desejo
e ansiava morrer no meio de um beijo,
mas queria mais ainda...
Tinha os dias sem fim para pensar,
e não perdera noites a chorar,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha quase tudo...
E hoje que não tenho quase nada,
vou como antes pela mesma estrada
e quero mais ainda...
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Poema de João Mattos e Silva (1968).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Flores

Pintura de Fernanda Mattos e Silva.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Mãe


Desenho de Emília Matos e Silva, Retrato de Fernanda Mattos e Silva (1978).
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Não por acaso o teu ventre fecundo
me gerou. Amado fui desde o momento
zero a criança depois e assim sempre
serei. Por isso minha mãe fonte primeira
de águas calmas em manhã de Setembro
a minha voz na tua se confunde. O amor
do meu origem és: primeira a quem amei.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Corrente


Pintura de Emília Mattos.
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Uma corrente é sempre uma constante.
Imensidade ligada de infinito.
esta corrente me prende e perpetua.
Inserto nesse espaço eu sou um elo
da corrente que em mim se continua.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

domingo, 28 de junho de 2009

Descobridores


Pintura de Emília Matos e Silva, Rodopio, 1997.
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Foram porém descendo
costa a costa
a terra. E era virgem
a vaga que roçava
languidamente as naus
e as vidas como a dizer
além além além.

E descobriram areais
apenas abraçados a marés ausentes
grandes silêncios o canto
das sereias e o pulsar da terra
adolescente e pura.

Esta gente que partiu ignota
das praias do Restelo à aventura.
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Poema de João Mattos e Silva, Marítimo Caminho, 1997.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

São Pedro



Pintura sobre uma estátua de São Pedro feita por Emília Matos e Silva, em 2009.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Casa do castelo de Leiria


Pintura de Emília Matos e Silva, baseada em fotografias. Representa a casa de Leiria, junto do castelo, que era da família de João Miguel Elias.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Igreja e o Castelo do Redondo


Pintura de Emília Matos e Silva, por encomenda dos meus avós paternos, que viviam no Redondo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Menino Jesus


Pintura de Alda Silva (assinada AM).

sábado, 20 de junho de 2009

Natureza-morta com frutos


É uma pintura que representa uma natureza-morta com frutos de outono. Faz lembrar pinturas com temas semelhantes pintadas por Columbano, sobretudo pelo colorido em tons de vermelho, amarelo e castanho, fazendo sobressair os frutos claros do fundo escuro. O melhor desta obra, para mim, é a romã, nomeadamente pelo vermelho luminoso das suas bagas.

Retrato de um velho


Pintura de Alda Silva. É um excelente retrato de uma figura masculina.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Quinta do Alperce


Pintada em Abril de 1939, esta aguarela de Fernanda Matos e Silva (minha avó), representa um recanto da Quinta do Alperce onde ela gostava de estar a ler. Lembro-me da minha avó me falar com carinho das suas memórias de infância na Quinta e especialmente deste local. Um dia ofereceu-me esta aguarela, o que para mim foi uma honra. Além da qualidade como pintura, há também o valor de memória do local. Local que hoje já não existe por certo. Onde era a Quinta do Alperce passou a ser a Alameda D. Afonso Henriques.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Duas Crianças

Pintura a aguarela de Emília Mattos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A Curiosidade


Pintura de Emília Mattos, 1890.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Capuchinho Vermelho

A minha tia Alda fazia muitas vezes este tipo de trabalhos, misturando pintura com tecido: recortava algumas zonas que deixavam transparecer o tecido, neste caso, o vermelho.
Assinado: A. Marinha.

Esta pintura é inspirada numa estampa antiga (original de 1868), mas parece-me que a menina pintada pela Tia Alda é mais bonita:

sábado, 29 de novembro de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Decidimos suspender temporariamente o nosso blog. As três gerações foram aqui representadas com as obras realizadas até agora. Voltaremos muita possivelmente um dia com novas obras poéticas, literárias ou pictóricas da terceira geração.

É possível que a quarta ou quinta geração se venha juntar ao blog que terá de mudar nome.

Esperamos que o texto de hoje seja um até breve.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Intemporal - Antologia, ou o fechar de uma página da vida


Trinta e cinco anos depois da publicação de “Sem Contorno”, em 1968, nas Edições Excelsior, pela mão do meu pai que acreditou na minha escrita incipiente da poesia, resolvi fechar um ciclo longo e que conheceu uma grande evolução na forma, embora também na temática e, sobretudo, na abordagem poética.

Ao longo dos muitos anos sofri diversas influências formais, fruto da leitura de centenas de livros de dezenas de poetas, sobretudo dos poetas portugueses. Sobretudo daqueles que, na depuração do verso, conseguiram que o uso rigoroso da palavra permitisse dizer, numa síntese perfeita, todo um discurso de muitos versos, em poucos versos cheios de significações, emoções e cosmogonias. De todos, destaco dois que foram meus mestres: Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade. Nunca fui, porém, ao pé deles, mais do que uma sombra fugidia.

Assim, retomando um título que, de alguma forma, tinha um significado profundo na minha forma de expressão poética – “Intemporal” – publiquei em 2003 uma Antologia muito breve, prefaciada pelo meu amigo poeta Cândido José de Campos - por cuja poesia tenho uma grande admiração e com a qual de tantas formas me identifico - que também seleccionou os poemas, e com capa e desenhos originais do também meu amigo e companheiro de ideais, também dos estéticos, Luís Moreira. Aos poemas dos meus livros publicados e antologiados, juntei mais alguns que, ou não tinham cabido na selecção feita para eles, ou escrevera posteriormente a “Marítimo Caminho”.

Com esta antologia encerrei um capítulo da minha produção escrita. Quando a emoção se desvanece com a idade e com as ilusões que a vida se compraz em desfazer, resta pouco do discurso poético que não seja um espartilho formal para palavras que encerram uma outra realidade que não a poesia. Não concebo – e não cedo a conceitos que a defendem e utilizam – a poesia sem emoções. “Poesia menor” será a que escrevi. Mas foi a minha mais forte forma de expressão.

Dos Inéditos

Nas tuas mãos

Nas tuas mãos deixei uma por uma
as flores da solidão que desfolhaste.


Eternidade

Havia em mim o sol:
em ti a lua.

Assim ficámos cada instante
a vida
até ao eclipse
total dos nossos sonhos.


Mar

Há sempre mar
em cada sonho meu
e sempre um barco
que em meu olhar aporta.
Há sempre sal e espuma
e sempre ausência
e sempre uma chegada
e sempre a inconstância
do mar que vem e vai
em marés de desejo.
Há sempre mar
e sempre uma saudade
nos reflexos do sol
nos refluxos de um beijo.

Alva
A luz desperta;
é a manhã primeira.
Enche-se de cor a terra
informe e nua.
O teu corpo desperta;
luz primeira
que no meu corpo
teu corpo perpetua.


Que o poema se chame sua chave.

Na memória se encerra nela se abre
o tempo do que foi do que há-de vir.
Que o poema se chame sua chave.

"Leitor atento desde há longos anos da obra de João Mattos e Silva,foi um grande prazer e um enorme desafio, traçar estas linhas, fruto de uma empatia intuitiva mais do que de uma análise sistemática, mas que nunca descuraram a tentativa de desvendar com humildade o segredo oculto nas palavras, pois como dizia Santa Teresa de Ávila: - Humildade é a verdade; e isso acima de tudo pretendeu o artífice desta singela conversação escrita: - que o poema se chame sua chave" Cândido José de Campos, do Prefácio

sábado, 19 de abril de 2008

Apesar de o fogo ser o elemento mais forte do meu horoscopo, a água tem sido sempre uma das principais fontes de inspiração para as minhas pinturas. O fogo também tem um enorme peso pois que as cores vermelha e laranja nas suas mais variadas tonalidades aparece em quase todos os meus trabalhos.


A água fonte de vida, meio de purificação, mãe. O fogo, o Sol, o Verão, a cor vermelha que simboliza não só a paixão mas também o espírito, a purificação e a iluminação. A purificação pelo fogo é complementar da purificação pela água. E eu sou uma mistura de fogo e água.

Os búzios saídos do mar, representam a minha natureza feminina, de mulher e de mãe.

Os frutos, ovo, são a fecundidade e o meu desejo de imortalidade.


A vida é uma travessia difícil e os barcos são uma segurança. Ajudam-nos a atravessar a nossa existência levando-nos a bom porto mesmo no meio das tempestades.



As minhas janelas são sempre vistas do interior para o exterior. É a minha procura da verdade dentro de mim mesma e a minha necessidade de viver a vida lá fora, de acordo com o que aquilo em que acredito.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Marítimo Caminho


O mar sempre exerceu em mim um enorme fascínio. Amo-o como o temo. Procuro-o como o rejeito. Mas percorre-me as veias do espírito como uma força vital, um outro sangue salgado
e revolto ou tranquilo no seu marulhar, no fluxo e refluxo das marés, um mar que canta suavemente no seu vai e vem, que grita nas ondas alterosas, que afaga e que castiga.
É uma constante na minha poesia. É a expressão da relação com os outros, é o sonho das distâncias e dos longes, é a manifestação da minha universalidade, é a memória histórica de navegantes e aventureiros, de descobridores, de simples viajantes.
No título de dois dos meus livros, na imagem da capa de um deles, figura como uma presença com direitos que adquiriu no meu imaginário. Sigificando, quando fala de um "Tempo de Mar Ausente", de 1972, a impossibilidade do diálogo que gerou a guerra, ou quando diz que o meu percurso humano é um "Marítimo Caminho", feito de mar chão e mar revolto, de marés que me atiram para o mar alto, solitário e ilimitado ou me fazem morrer na praia, terra firme de sonhos, acções, ilusões e desilusões, ou quando me recolho, exausto, a um porto de abrigo.
"Marítimo Caminho" apareceu dez anos depois de "Memória(s), em 1997, na editora "Tertúlia", colecção "Clube dos Poetas Vivos".


Nauta

Ao mar me fiz. Ao mar do ignorado
desejo de encontrar outras distâncias.
Tracei rotas de sol rumos de espanto
e parti insensato à aventura
as velas enfunadas o vento de feição.

No cais da despedida meu cansaço
ficou aquietado.Me fiz assim ao mar.
O que irá encontrar meu louco coração?


Nostalgia

Vinda do mar no verso da palavra
ao mar voltou no reverso do olhar.


Sereias

Apenas escutarei em suas vozes
as palavras de amor que reconheço.


Cais

Inumeráveis os dias;inenarráveis as horas.
Aquático à luz da arde estremecias
esperando naus das índias que ainda choras.

terça-feira, 15 de abril de 2008

1987, ano de intensa vivência poética


Em 1987, por iniciativa da associação Património XXI, de que era sócio, participei com perto uma centena de poetas de várias gerações e discursos diversos, nos III Encontros de Poesia de Vila Viçosa, entre eles Raul de Carvalho, Luís Veiga Leitão, Orlando Neves, Rebordão Navarro, Adalberto Alves, António Almeida Mattos, Fernando Namora, João Rui de Sousa, Fiame Hasse Pais Brandão, José Blanc de Portugal, José Manuel Capêlo e Wanda Ramos. Da poesia apresentada foi feito um livro, "Água Clara - Poetas em Vila Viçosa" . Dele, um poema;




Porque morre um poeta?

à memória de Ruy Cinatti

Porque morre um poeta? porque parte
a desvendar o sonho o encoberto
se tudo o que um poema silencia
seria revelado ou descoberto?
Porque morre um poeta? Porque morre?


Em 1987 também aparece nos escaparates "Palavras - Sete Poetas Portugueses Contemporâneos", reunindo poemas de António Almeida Mattos, João Mattos e Silva, José Manuel Capêlo, Cândido José de Campos, Fernando Tavares Rodrigues , Nicolau Saião e Rita Olivaes. Desse livro


Pranto de Adriano Imperador

Nunca o silêncio dirá
da dor que cinjo
como o império que sirvo
e a que resisto.
Nem de tão grande amor
irão meus versos
toda a grandeza. E os rios
mares que chorei.

Serás sempre o meu deus
pátria e destino.
Roma é vertigem só;
a vida instante.

Teu sacerdote ó Antinoos
sou: eterno e amante.

sábado, 12 de abril de 2008

Emília Matos e Silva - Retratos

Tenho feito por encomenda diversos retratos, uns a óleo s/tela e outros a pastel.


Professor Veiga Simão -então Ministro da Industria


Maria Emília de Azevedo e Castro Pina Correia



Filhos de Dom Duarte Pio, Duque de Bragança
pinturas feitas para a exposição " Real (idade) de uma convicção".

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Mais um passo no percurso poético - Memória(s)


A par com a publicação de poesia, o final dos anos oitenta foi fértil em acções de escrita. Crítica literária no jornal "Letras e Letras", editado no Porto por Joaquim de Matos, recensão literária no "Semanário", colaboração regular com poesia e prosa na revista literária "Património XXI", dirigida pelo escritor e saudoso amigo Orlando Neves.

1987 é o ano do aparecimento de um novo livro de poemas, "Memória(s), com capa da pintora Emília Matos e Silva e prefácio do escritor Mário Cláudio.



Do Prefácio



"Tem João Mattos e Silva, portanto, em suas mãos, o direito de ser, contra rabiscos vários dos jograis em comandita, poeta verdadeiro e discretamente maior. Confrontado com o seu enigma, na pátria e no texto o ancorou, finalmente decidida, uma vez eliminadas as rasuras e os borrões do discurso que a nós todos pré-existe, a identidade que lhe cabe...

...Solitária, mas insubmissa, se reconhece esta pena, ao termo da jornada empreendida. Nenhuma das frustrações a condenaria, entretanto, à resignação, pois pois que de muito para além do que é a energia lhe cresce. Consciente, como as do fundo da sabedoria, de que 'além de nós um outro/ surge em cada esquina de luz desvirtuada', perguntará 'porque morre um poeta?'. Grita-lhe-ão, em resposta, que por algo que se desvendou, mas que ninguém conhece, para sempre sepultado no entendimento do silêncio, uma vez o limite ultrapassado de a si próprio explicar". Mário Cláudio



Espelhos



Como num espelho da imagem
retrocesso. Imagem não do tempo
mas no tempo. O outro lado
o seu reverso apenas o avesso.
No polido do aço o fio do aço
a imagem polida e frio o espelho.



De Ariana o fio


Ser de Ariana o fio e em labirintos
de mistério esquecer como Teseu
vencido o Minotauro da razão.


Ser de Dionísio aquele amor sereno
por Ariana só e desprezada.
De Teseu a vitória sem traição.


De outros mitos construir a glória
e apenas nas distâncias da memória
ser o fio de Ariana e a paixão.





Fala de Mulei Moluc



Senhor de outros reinos que não deste
teus sonhos nas areias apodrece.
Estás morto. Perdido o império incerto.

Senhor destes reinos vencedor
a vitória me dói e queima. E o deserto.
O esquecimento de mim só não virá
por memória de ti que és encoberto.




Lamento de hoje



Este estar vivo assim é que me mata:
não mais por mar além ou terra fora
naufragado na Costa não da Mina
mas desta pátria triste que só chora
e não descobre outro destino ou sina
terras de Prestes João ou Rio da Prata.





Quinto Império



Por onde nas florestas desbravadas
ou em oceanos índicos pacíficos
sulcados de remotas aventuras
e de sonhos é que perdido andei?


Corpo - espaço de sonho recoberto
por índias e brasís me dispersei.
Novos mundos ao mundo foram dados.
E agora aonde irei?


Com palavras farei um outro império
maior e mais constante
que o amor na palavra nos congraça.
Por elas nos cumprimos nas praias
do Restelo ou de Mombaça.