segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Spyke


Pintura de Emília Matos e Silva, Spyke, 2004.

domingo, 23 de agosto de 2009

«Mi(n)to»

No gesto que sustenho
o silêncio que minto
a palavra impudente
o travo do absinto
no amor que desdenho
no amor que resguardo.

Sobre o corpo que espero
sobre o rosto escondido
um mito entretecido
de lírios e de nardo.
---
Poema de João Mattos e Silva (1986).

sábado, 22 de agosto de 2009

«Festa brava»



Conto de Fernanda de Mattos e Silva, in O Senhor Doutor, 11 de Agosto de 1934.

Um leque


Pintura de Emília Mattos que representa um leque. Trata-se de uma natureza morta que figura um objecto do quotidiano feminino, que era próprio da sociedade burguesa do século XIX. Apesar de os leques serem associados a códigos de comunicação, naquela época, creio que Emília Mattos estava mais interessada na representação do objecto decorativo ligado à arte oriental, sem qualquer simbolismo a ele associado. Como num quadro dentro de um quadro, neste leque podem ver-se pintados dois patos, em tons de azul sobre um fundo rosado, figurando talvez um leque que pertenceria à pintora.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

«Imemória»




Mil memórias de mares adormecidos

vigilantes ficámos e estivemos.

Mil memórias de nós que nos morremos

espúrios o sol e sal parcos de nada

reduzidas as palavras aos sentidos

reduzido o amor à coisa amada.

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Poema de João Mattos e Silva (1986).

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

«A sua boa estrêla»









Conto de Fernanda Mattos e Silva,
in O Senhor Doutor, 14 de Julho de 1934.

sábado, 15 de agosto de 2009

Âncora



Esta sempre foi uma das minhas pinturas preferidas, das pintadas pela minha mãe. Entre uma marinha e uma natureza-morta, mostra e amplia a corrente que prende o barco à terra. O título de âncora traduz a corrente não como uma prisão, mas sim como uma segurança. Faz-nos ligar o mar a um abrigo, a um porto seguro.
Todos nós precisamos de ancorar, de encontrar esse porto onde encontramos segurança.
---
Pintura de Emília Mattos e Silva.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Flores


Aguarela de Emília Mattos (1890).

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quando o tempo vier



Quando o tempo vier
que seja apenas mar.
Que se abram em flor
os rios rasgando o vento.
Quando o tempo vier
(que venha breve)
saiba dizer amor
em vez de guerra
saiba querer
a serra
em vez de mar.
E venha a tempestade
para ficar.
---
João Mattos e Silva (1976).
Fotografia de Emília Mattos e Silva.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

«Fogueiras de São João»


Conto de Fernanda Mattos e Silva,
O Senhor Doutor, 30 de Junho de 1934.

Fez-se silêncio de sol no teu olhar...


Fez-se silêncio de sol no teu olhar
como se à noite o sol não possuísse.

(É à noite que o sol possui a lua
e lhe diz coisas que à terra nunca dissse).
---
Poema de João Mattos e Silva (1972).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

«Um dia de Primavera»


Conto de Fernanda de Mattos e Silva,
* O Senhor Doutor, 9 de Junho de 1934.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Amor


Pintura de Emília Mattos e Silva, Amor, 2007.

terça-feira, 28 de julho de 2009

«O Quadro Mágico»


Conto de Fernanda Mattos e Silva, in O Senhor Doutor, 19 de Maio de 1934.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Abstracto


Gravura de Emília Mattos e Silva (1974).

sábado, 25 de julho de 2009

«Momento X»



No espaço uma ave que voa,

no ar, uma pena que cai.

E o que ficou da ave

que os ares cruzou e voa?

No espaço, o azul sem contorno,

no ar, uma pena que cai.

---
Poema de João Mattos e Silva (1968).
Fotografia de Emília Mattos e Silva.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Mago


Pintura de Emília Mattos e Silva, O Mago (2009).

terça-feira, 21 de julho de 2009

«Um monstro pré-histórico»


Um história muito engraçada!
Conto de Fernanda Mattos e Silva, in O Senhor Doutor, 7 de Abril de 1934.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

«Apocalipse»


A lua era azul
o sol avermelhado.
Quatro cavaleiros
volteavam no ar
sobre um cavalo alado.
Tinham as faces e as mãos brilhantes,
as roupas cintilantes
e o olhar cansado.
Foram-se no ar
deixando um longo rasto.
A lua era prateada
e o sol já se perdera.
Um anjo apareceu
onde o sol se pusera.
O julgamento tinha começado.
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Poema de João Mattos e Silva (1968).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

«Os Ninhos»

Conclui no post http://tresgeracoes.blogspot.com/2009/07/conclusao-de-os-ninhos.html

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Conto de Fernanda de Mattos e Silva,
in O Senhor Doutor, 25 de Novembro de 1933.

«Prémio de Beleza»

Conto de Fernanda de Mattos e Silva,
in O Senhor Doutor, n.º 22, 12 Agosto de 1933.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

«Uma Exigência do senhor Apolo»


Conto de Fernanda Mattos e Silva,
In O Senhor Doutor, n.º 17, 8 de Julho de 1933.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Edições Excelsior


O meu avô, João de Almeida Júnior, dirigiu uma editora denominada «Edições Excelsior», tendo publicado importantes livros sobre arte portuguesa e literatura.

1946 - João Barreira, Arte Portuguesa.
1946 - Aquilino Ribeiro, Camões e o Frade da Ilha dos Amores.
1951- João Barreira (Direcção), Arte Portuguesa: As Artes Decorativas.
1951 - João Couto, Aspectos Actuais do Problema do Tratamento de Pinturas.
1951 - Diogo de Macedo, Cadernos de Arte.
1952 - Diogo de Macedo, Francisco Metrass e António José Patrício.
1961 - Jorge Segurado, Francisco d'Olanda.
1961 - Ernesto Soares, A Ilustração do Livro (Séculos XV a XIX).
c. 1970 - Jorge Segurado (Direcção), Lisboa no Passado e no Presente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Palacete Conceição e Silva (Avenida da Liberdade)

A minha mãe disse-me que Conceição e Silva, um industrial de bolachas, era da nossa família. Apenas sei que a minha avó viveu na Avenida da Liberdade (n.º 122) e que a minha trisavó se chamava Margarida Conceição e Silva. Gostava de saber mais, até porque esta é (para mim) uma das casas mais bonitas de Lisboa.
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«Iniciada a construção em 1891, a sua característica arquitectura romântica insere-se perfeitamente no denominado estilo neo-árabe, embora denuncie outras fontes de inspiração, patenteadas na ecléctica e vasta gramática decorativa, observável, por exemplo, ao nível dos estuques pintados ou trabalhados, bem como dos vitrais, cuja iconografia inclui elementos geometrizantes e figurações humanas, todos assinados e datados.
De planta rectangular, este antigo palacete possui quatro registos, cave e três corpos. Ao nível do primeiro destes registos verificamos a existência de duas portas nos dois corpos laterais, ambas com arco em ferradura e alfiz decorado, tendo ao centro janelas com molduras de diferente tipologia. Quanto ao segundo registo, constata-se a existência de janelas com arco em ferradura, encontrando-se algumas assentes em colunas. Por fim, no terceiro registo, as portas são de sacada em arco trilobado e em ferradura, todas com alfizes decorados e apoiados de forma similar.
Relativamente ao quarto registo, o corpo central forma uma espécie de torre, vazado por um arco redondo de consideráveis dimensões e encimada por uma platibanda perfeita de merlões escalonados. Os dois corpos laterais, por seu lado, finalizam numa espécie de área amansardada, com janelão redondo e saliente, emoldurado em cantaria».
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IPPAR - A. Martins.
Coração de Jesus - Palacete Conceição e Silva.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

«Amor»

Pintura de Emília Mattos e Silva, Nardos (2007).
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Brotou assim o amor
como o nascer do rio;
apenas breve fio
depois azul o mar
depois vermelho
desta imensa paixão
que me consome.
E o desejo de ti
que fere os meus sentidos
e o teu sabor a nardos
que pressinto
e o calor do teu corpo
que procuro
são ritos de solidão
que em vão esconjuro:
amor que assim nasceu
como o brotar do rio
a gota apenas fio
o abismo de ti
ó meu amor solar.
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Poema de João Mattos e Silva.

sábado, 11 de julho de 2009

Paris 1900

O meu bisavô, João da Cruz David e Silva, participou na Exposição Universal de Paris de 1900, evento importante que marcou a passagem do século XIX para o século XX.
A entrada em 1900 foi celebrada com a grande Exposição Universal de Paris, na qual Portugal participou, sendo o pavilhão português da autoria do arquitecto Ventura Terra. A Exposição decorreu entre 14 de Abril e 12 de Novembro de 1900 e o pavilhão de Portugal abriu no dia 26 de Maio.
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Exposição de Paris (1900).

quinta-feira, 9 de julho de 2009

...Passeio pela Gulbenkian


Desenho de Emília Mattos e Silva, datado de 1961 (com cerca de 14 anos), inspirado de uma pintura de Jan van der Heyden, pertencente ao Museu Calouste Gulbenkian.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sintra


Pintura de Fernanda Mattos e Silva, Santa Eufémia (1962).
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Santa Eufémia é uma capela na Serra de Sintra. A minha avó tinha uma casa na Portela, onde costumávamos ir em Setembro. A minha mãe e o meu tio têm por certo memórias mais precisas e mais ricas dessas estadas. Eu só me lembro vagamente da casa e de ir passear para o centro, a um miradouro na Volta do Duche e de comer travesseiros na Piriquita. Fosse como fosse, no final, fiquei com uma ligação muito forte a Sintra . Ainda hoje é o meu local preferido para passear. Há uns tempos fui com a minha família a Santa Eufémia - se já lá tinha estado, não me lembro - e gostei muito. É um lugar mágico.

A Fernandinha


Retratos de Fernanda Mattos e Silva.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Gipsy e o Boss



Pinturas a aguarela de Emília Mattos e Silva (1992).

sábado, 4 de julho de 2009

Círculos


Fotografia de família (c. 1971), onde se pode ver João Mattos e Silva, Alda Mattos e Silva e Emília Mattos e Silva.
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Em círculos concêntricos secantes
se lança se relança se ultrapassa
em dança e contradança que não cessa
este estar vivo assim que a morte
espreita este estar morto assim
que a vida passa em círculos
e espirais concêntricos excêntricos
deixando do que foi memória escassa.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Emília Matos e Silva a pintar


Emília Matos e Silva a iniciar uma pintura e a obra final (1999).
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Ver post de 19 de Abril de 2008.

As mãos em nossas mãos se entrelaçam...

Desenho de Emília Mattos e Silva, Retrato de Pedro Campos Rodrigues (1987).
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As mãos em nossas mãos
se entrelaçam
como as palavras para ser
poesia: num poema maior
por que amizade
um verso após um verso
em cada dia.
Assim iremos além da eternidade.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Adolescente

Pintura de Emília Matos e Silva, Som (2008).
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Eu tinha quase tudo ...
Mas queria mais, ainda...
Eu tinha a esperança em flor
e tinha o coração cheio de amor,
mas queria mais, ainda...
Tinha nas mãos uma vontade imensa
de vencer ou morrer, vontade intensa,
mas queria mais, ainda...
Tinha o olhar dourado pela vida
e uma vontade de amar nunca sentida,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha a luz do sol nos meus cabelos
e todos os dias, mesmo sem sol, eram belos
mas queria mais ainda...
Tinha no corpo todo o grito dum desejo
e ansiava morrer no meio de um beijo,
mas queria mais ainda...
Tinha os dias sem fim para pensar,
e não perdera noites a chorar,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha quase tudo...
E hoje que não tenho quase nada,
vou como antes pela mesma estrada
e quero mais ainda...
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Poema de João Mattos e Silva (1968).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Flores

Pintura de Fernanda Mattos e Silva.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Mãe


Desenho de Emília Matos e Silva, Retrato de Fernanda Mattos e Silva (1978).
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Não por acaso o teu ventre fecundo
me gerou. Amado fui desde o momento
zero a criança depois e assim sempre
serei. Por isso minha mãe fonte primeira
de águas calmas em manhã de Setembro
a minha voz na tua se confunde. O amor
do meu origem és: primeira a quem amei.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).