Retratos de Fernanda Mattos e Silva.
Três gerações da família iniciada com João da Cruz David e Silva e Emília Mattos e Silva na pintura, na música e na literatura e poesia.
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
Círculos

Fotografia de família (c. 1971), onde se pode ver João Mattos e Silva, Alda Mattos e Silva e Emília Mattos e Silva.
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Em círculos concêntricos secantes
se lança se relança se ultrapassa
em dança e contradança que não cessa
este estar vivo assim que a morte
espreita este estar morto assim
que a vida passa em círculos
e espirais concêntricos excêntricos
deixando do que foi memória escassa.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Emília Matos e Silva a pintar


Emília Matos e Silva a iniciar uma pintura e a obra final (1999).
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Ver post de 19 de Abril de 2008.
As mãos em nossas mãos se entrelaçam...
se entrelaçam
como as palavras para ser
poesia: num poema maior
por que amizade
um verso após um verso
em cada dia.
Assim iremos além da eternidade.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Adolescente
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Eu tinha quase tudo ...
Mas queria mais, ainda...
Eu tinha a esperança em flor
e tinha o coração cheio de amor,
mas queria mais, ainda...
Tinha nas mãos uma vontade imensa
de vencer ou morrer, vontade intensa,
mas queria mais, ainda...
Tinha o olhar dourado pela vida
e uma vontade de amar nunca sentida,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha a luz do sol nos meus cabelos
e todos os dias, mesmo sem sol, eram belos
mas queria mais ainda...
Tinha no corpo todo o grito dum desejo
e ansiava morrer no meio de um beijo,
mas queria mais ainda...
Tinha os dias sem fim para pensar,
e não perdera noites a chorar,
mas queria mais, ainda...
Eu tinha quase tudo...
E hoje que não tenho quase nada,
vou como antes pela mesma estrada
e quero mais ainda...
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Poema de João Mattos e Silva (1968).
quarta-feira, 1 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Mãe
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A Corrente

Pintura de Emília Mattos.
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Uma corrente é sempre uma constante.
Imensidade ligada de infinito.
esta corrente me prende e perpetua.
Inserto nesse espaço eu sou um elo
da corrente que em mim se continua.
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Poema de João Mattos e Silva (1972).
domingo, 28 de junho de 2009
Descobridores

Pintura de Emília Matos e Silva, Rodopio, 1997.
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Foram porém descendo
costa a costa
a terra. E era virgem
a vaga que roçava
languidamente as naus
e as vidas como a dizer
além além além.
E descobriram areais
apenas abraçados a marés ausentes
grandes silêncios o canto
das sereias e o pulsar da terra
adolescente e pura.
Esta gente que partiu ignota
das praias do Restelo à aventura.
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Poema de João Mattos e Silva, Marítimo Caminho, 1997.
sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Casa do castelo de Leiria

Pintura de Emília Matos e Silva, baseada em fotografias. Representa a casa de Leiria, junto do castelo, que era da família de João Miguel Elias.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
Natureza-morta com frutos
É uma pintura que representa uma natureza-morta com frutos de outono. Faz lembrar pinturas com temas semelhantes pintadas por Columbano, sobretudo pelo colorido em tons de vermelho, amarelo e castanho, fazendo sobressair os frutos claros do fundo escuro. O melhor desta obra, para mim, é a romã, nomeadamente pelo vermelho luminoso das suas bagas.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A Quinta do Alperce
quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O Capuchinho Vermelho
A minha tia Alda fazia muitas vezes este tipo de trabalhos, misturando pintura com tecido: recortava algumas zonas que deixavam transparecer o tecido, neste caso, o vermelho.Assinado: A. Marinha.
Esta pintura é inspirada numa estampa antiga (original de 1868), mas parece-me que a menina pintada pela Tia Alda é mais bonita:
sábado, 29 de novembro de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Decidimos suspender temporariamente o nosso blog. As três gerações foram aqui representadas com as obras realizadas até agora. Voltaremos muita possivelmente um dia com novas obras poéticas, literárias ou pictóricas da terceira geração.
É possível que a quarta ou quinta geração se venha juntar ao blog que terá de mudar nome.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Intemporal - Antologia, ou o fechar de uma página da vida

Trinta e cinco anos depois da publicação de “Sem Contorno”, em 1968, nas Edições Excelsior, pela mão do meu pai que acreditou na minha escrita incipiente da poesia, resolvi fechar um ciclo longo e que conheceu uma grande evolução na forma, embora também na temática e, sobretudo, na abordagem poética.
Ao longo dos muitos anos sofri diversas influências formais, fruto da leitura de centenas de livros de dezenas de poetas, sobretudo dos poetas portugueses. Sobretudo daqueles que, na depuração do verso, conseguiram que o uso rigoroso da palavra permitisse dizer, numa síntese perfeita, todo um discurso de muitos versos, em poucos versos cheios de significações, emoções e cosmogonias. De todos, destaco dois que foram meus mestres: Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade. Nunca fui, porém, ao pé deles, mais do que uma sombra fugidia.
Assim, retomando um título que, de alguma forma, tinha um significado profundo na minha forma de expressão poética – “Intemporal” – publiquei em 2003 uma Antologia muito breve, prefaciada pelo meu amigo poeta Cândido José de Campos - por cuja poesia tenho uma grande admiração e com a qual de tantas formas me identifico - que também seleccionou os poemas, e com capa e desenhos originais do também meu amigo e companheiro de ideais, também dos estéticos, Luís Moreira. Aos poemas dos meus livros publicados e antologiados, juntei mais alguns que, ou não tinham cabido na selecção feita para eles, ou escrevera posteriormente a “Marítimo Caminho”.
Com esta antologia encerrei um capítulo da minha produção escrita. Quando a emoção se desvanece com a idade e com as ilusões que a vida se compraz em desfazer, resta pouco do discurso poético que não seja um espartilho formal para palavras que encerram uma outra realidade que não a poesia. Não concebo – e não cedo a conceitos que a defendem e utilizam – a poesia sem emoções. “Poesia menor” será a que escrevi. Mas foi a minha mais forte forma de expressão.
Dos Inéditos
Nas tuas mãos
Nas tuas mãos deixei uma por uma
as flores da solidão que desfolhaste.
Eternidade
Havia em mim o sol:
em ti a lua.
Assim ficámos cada instante
a vida
até ao eclipse
total dos nossos sonhos.
Mar
Há sempre mar
em cada sonho meu
e sempre um barco
que em meu olhar aporta.
Há sempre sal e espuma
e sempre ausência
e sempre uma chegada
e sempre a inconstância
do mar que vem e vai
em marés de desejo.
Há sempre mar
e sempre uma saudade
nos reflexos do sol
nos refluxos de um beijo.
Alva
Que o poema se chame sua chave.
Na memória se encerra nela se abre
o tempo do que foi do que há-de vir.
Que o poema se chame sua chave.
"Leitor atento desde há longos anos da obra de João Mattos e Silva,foi um grande prazer e um enorme desafio, traçar estas linhas, fruto de uma empatia intuitiva mais do que de uma análise sistemática, mas que nunca descuraram a tentativa de desvendar com humildade o segredo oculto nas palavras, pois como dizia Santa Teresa de Ávila: - Humildade é a verdade; e isso acima de tudo pretendeu o artífice desta singela conversação escrita: - que o poema se chame sua chave" Cândido José de Campos, do Prefácio
sábado, 19 de abril de 2008
Os búzios saídos do mar, representam a minha natureza feminina, de mulher e de mãe.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Marítimo Caminho

Nauta
Ao mar me fiz. Ao mar do ignorado
desejo de encontrar outras distâncias.
Tracei rotas de sol rumos de espanto
e parti insensato à aventura
as velas enfunadas o vento de feição.
No cais da despedida meu cansaço
ficou aquietado.Me fiz assim ao mar.
O que irá encontrar meu louco coração?
Nostalgia
Vinda do mar no verso da palavra
ao mar voltou no reverso do olhar.
Sereias
Apenas escutarei em suas vozes
as palavras de amor que reconheço.
Cais
Inumeráveis os dias;inenarráveis as horas.
Aquático à luz da arde estremecias
esperando naus das índias que ainda choras.
terça-feira, 15 de abril de 2008
1987, ano de intensa vivência poética

sábado, 12 de abril de 2008
Emília Matos e Silva - Retratos

Professor Veiga Simão -então Ministro da Industria

Maria Emília de Azevedo e Castro Pina Correia

Filhos de Dom Duarte Pio, Duque de Bragança
pinturas feitas para a exposição " Real (idade) de uma convicção".
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Mais um passo no percurso poético - Memória(s)

A par com a publicação de poesia, o final dos anos oitenta foi fértil em acções de escrita. Crítica literária no jornal "Letras e Letras", editado no Porto por Joaquim de Matos, recensão literária no "Semanário", colaboração regular com poesia e prosa na revista literária "Património XXI", dirigida pelo escritor e saudoso amigo Orlando Neves.
1987 é o ano do aparecimento de um novo livro de poemas, "Memória(s), com capa da pintora Emília Matos e Silva e prefácio do escritor Mário Cláudio.
Do Prefácio
"Tem João Mattos e Silva, portanto, em suas mãos, o direito de ser, contra rabiscos vários dos jograis em comandita, poeta verdadeiro e discretamente maior. Confrontado com o seu enigma, na pátria e no texto o ancorou, finalmente decidida, uma vez eliminadas as rasuras e os borrões do discurso que a nós todos pré-existe, a identidade que lhe cabe...
...Solitária, mas insubmissa, se reconhece esta pena, ao termo da jornada empreendida. Nenhuma das frustrações a condenaria, entretanto, à resignação, pois pois que de muito para além do que é a energia lhe cresce. Consciente, como as do fundo da sabedoria, de que 'além de nós um outro/ surge em cada esquina de luz desvirtuada', perguntará 'porque morre um poeta?'. Grita-lhe-ão, em resposta, que por algo que se desvendou, mas que ninguém conhece, para sempre sepultado no entendimento do silêncio, uma vez o limite ultrapassado de a si próprio explicar". Mário Cláudio
Espelhos
Como num espelho da imagem
retrocesso. Imagem não do tempo
mas no tempo. O outro lado
o seu reverso apenas o avesso.
No polido do aço o fio do aço
a imagem polida e frio o espelho.
De Ariana o fio
Ser de Ariana o fio e em labirintos
de mistério esquecer como Teseu
vencido o Minotauro da razão.
Ser de Dionísio aquele amor sereno
por Ariana só e desprezada.
De Teseu a vitória sem traição.
De outros mitos construir a glória
e apenas nas distâncias da memória
ser o fio de Ariana e a paixão.
Fala de Mulei Moluc
Senhor de outros reinos que não deste
teus sonhos nas areias apodrece.
Estás morto. Perdido o império incerto.
Senhor destes reinos vencedor
a vitória me dói e queima. E o deserto.
O esquecimento de mim só não virá
por memória de ti que és encoberto.
Lamento de hoje
Este estar vivo assim é que me mata:
não mais por mar além ou terra fora
naufragado na Costa não da Mina
mas desta pátria triste que só chora
e não descobre outro destino ou sina
terras de Prestes João ou Rio da Prata.
Quinto Império
Por onde nas florestas desbravadas
ou em oceanos índicos pacíficos
sulcados de remotas aventuras
e de sonhos é que perdido andei?
Corpo - espaço de sonho recoberto
por índias e brasís me dispersei.
Novos mundos ao mundo foram dados.
E agora aonde irei?
Com palavras farei um outro império
maior e mais constante
que o amor na palavra nos congraça.
Por elas nos cumprimos nas praias
do Restelo ou de Mombaça.
segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fiz em 1978 a capa e as ilustrações do livro de cozinha escrito pela minha mãe Fernanda Matos e Silva.

Para a editorial escritor fiz diversas pinturas para capas de livros.
domingo, 6 de abril de 2008
No ano de 1998 participei com três pinturas numa exposição colectiva, na galeria Óptica do Conde de Redondo, intitulada "Real(idade) de uma convicção". Dois oleos s/ tela denominados "Futuro I" e "Futuro II" retratam os filhos mais velhos do Duque de Bragança.
O terceiro chama-se " Inês de Portugal". Neste, Inês aguarda ansiosa a chegado do seu amado. Na mão direita uma rosa vermelha que simboliza não só o fogo da sua paixão e o eterno amor que os unia, mas também o seu sangue derramado.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Cântico Suspenso
Dez anos depois de "Intemporal" - em 1986 - publiquei nas edições Silex um novo livro de poemas. Tinha o título de outro, do grande poeta José Régio, mas não tinha como não o ter. O mistério do cântico poético estava suspenso de uma visão diferente do mistério do caminho da vida que ia percorrendo e era uma manifestação de coragem "mostrar o que se achou no caminho - e nunca é fácil, nem alegre, nem irresponsável revelar o que se encontrou ou sonhou nas galerias da alma..."( Eugénio de Andrade - Poética).Inscrição
Mortais é o que somos.
E deuses já não fomos?
"Uma descoberta este Cântico Suspenso! Pois 'eram dunas o deserto do teu peito:nelas de amor imprimi os meus dedos'. Ainda 'No meu corpo o teu corpo em vão procuro/ como em mim não encontro/outra nascente' Uma poesia calma, resguardada, simples, sem palavras últimas. Palavras que se vestem ao nosso olhar". Cecília Barreira
Mitos
Lagos
Dali partiu Sebastião. Lagos
serenos de infinito em seu olhar
partiram. E sonhos não sonhados.
Ali do norte ventos aportados
dormem no areal: esperando o mar.
E partem algum dia. Mas viver
é ir morrendo assim mas devagar.
Rituais
Nocturnos
1.
Vespertina ternura
a dos amantes
que na manhã renascem
separados
nos olhos nas palavras
nos desejos
aos versos do poeta
apenas confinados.
2.
Eram do poeta os versos
surpreendidos
pelo sorriso na manhã
nascente
no mistério do verbo
desvendado.
Apócrifas apenas
as palavras
que dizem do silêncio
resguardado.
Celebrações
Caminhos
Tormentosos caminhos penso
e vou.
Nos desvios se me perco
retrocedo:
assim partindo sempre
nunca chego.
Fico mas não estou.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Intemporal




















